Bancários sob pressão: metas abusivas, assédio e adoecimento psíquico

O outro lado do “glamour” bancário

Por trás do terno alinhado, do ar-condicionado e do status de trabalhar em um banco, existe uma realidade silenciosa: metas abusivas, assédio moral, exposição pública, cobranças excessivas e adoecimento mental.

Embora representem um pequeno percentual dos trabalhadores formais, bancários estão entre as categorias com mais afastamentos por transtornos psíquicos, como ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout. A Justiça do Trabalho tem reconhecido que esse modelo de gestão pode caracterizar assédio moral, gerando direito a indenização por danos morais e materiais, além de possíveis pensões mensais em caso de incapacidade.

Como se configura o assédio moral por metas abusivas no setor bancário

No setor bancário, o assédio moral costuma ocorrer de forma sistemática e vinculada ao atingimento de metas irreais. Entre as práticas mais comuns estão:

  • Exposição pública de rankings, com humilhação dos últimos colocados.
  • Ameaças de transferência, dispensa ou rebaixamento para quem não bate as metas.
  • Cobranças fora do expediente, por grupos de mensagens e ligações constantes.
  • Controle excessivo de pausas e vigilância invasiva.

Essas práticas ultrapassam o poder de gestão e caracterizam ambiente de trabalho tóxico, violando a dignidade e a saúde mental do bancário.

Quando o adoecimento psíquico vira caso de Justiça

Transtornos como Burnout, depressão e ansiedade podem ser reconhecidos como doenças ocupacionais quando existe vínculo com as condições de trabalho. Isso gera impactos jurídicos importantes. Entenda os elementos que reforçam o nexo:

  • Diagnóstico médico indicando relação com o trabalho.
  • Atestados, afastamentos e encaminhamentos ao INSS.
  • Emissão de CAT, quando possível.
  • Provas do ambiente abusivo: mensagens de cobrança, metas, rankings, depoimentos de colegas.

A jurisprudência trabalhista já reconhece que o modelo de metas agressivas é um fator de risco relevante para o adoecimento mental.

Quais direitos o bancário pode exigir na Justiça

Quando comprovado o assédio moral ou o adoecimento decorrente do trabalho, o bancário pode pleitear:

1. Indenização por dano moral: pelos constrangimentos, humilhações e prejuízos à saúde emocional.
2. Indenização por dano material: incluindo pensão mensal, quando há redução permanente da capacidade de trabalho.
3. Reconhecimento de doença ocupacional: equiparada a acidente de trabalho, garantindo estabilidade acidentária de 12 meses após o retorno, possibilidade de reintegração e obrigação de emissão de CAT.
4. Nulidade de dispensa discriminatória: especialmente quando o desligamento ocorre durante quadro de adoecimento psíquico.

Como registrar internamente sem se expor de forma temerária

Criar um histórico interno sólido é fundamental, mas deve ser feito com estratégia:

  • Armazene provas: prints, e-mails, metas, rankings, mensagens de cobrança, áudios e documentos;
  • Use os canais internos do banco (RH, ouvidoria), guardando protocolos;
  • Busque atendimento médico e psicológico, pedindo laudos que liguem o quadro ao trabalho;
  • Documente períodos de afastamento, atestados e orientações médicas.

Essas medidas fortalecem o processo e evitam a narrativa de “falta de provas”.

Por que contar com um escritório especializado faz diferença

O trabalhador bancário não deve enfrentar essa batalha sozinho.
O Direito do Trabalho exige ambiente laboral saudável, e o banco responde civilmente quando falha em prevenir danos.

Um escritório experiente em causas bancárias, como o Coimbra Advogados Associados, atua com: 

  • análise técnica das provas;
  • uso dos protocolos de julgamento com perspectiva de gênero e antidiscriminatória;
  • construção de tese sólida para dano moral, doença ocupacional, reintegração e pensão;
  • condução estratégica para minimizar riscos e ampliar a proteção jurídica.

Com abordagem humanizada e mais de 20 anos de experiência, transformamos dor em direitos e ajudamos bancários a reconstruírem sua trajetória profissional com segurança.

Daniela Coimbra
Advogada trabalhista, especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, com atuação em gênero, trabalho, saúde e direitos das mulheres. Membro do GPMAT/USP.