
Humilhações, gritos, silenciamentos e ameaças no emprego não são liderança e não são brincadeira. Esses comportamentos são sinais claros de violência no ambiente de trabalho, frequentemente sustentados por uma cultura machista que tenta fazer a vítima acreditar que “o problema é você”.
A boa notícia é que a Constituição Federal, a CLT e a Convenção 190 da OIT garantem que nenhuma mulher seja obrigada a tolerar situações de assédio moral, assédio sexual ou discriminação de gênero.
A seguir, apresentamos 7 sinais de alerta para identificar se você está sendo vítima de violência no mundo do trabalho.
1. Quando sua voz é calada
Se você é interrompida constantemente em reuniões, ignoram suas falas ou não permitem que você conclua um raciocínio, isso não é só falta de educação, é silenciamento. Ambientes que impedem a mulher de se expressar ferem o princípio constitucional da igualdade e da liberdade de expressão, além de criar condições propícias ao assédio moral.
2. Quando explicam o óbvio “porque você não entende”
Conhecido como mansplaining, acontece quando um homem “explica” algo que você já domina, como se fosse menos capaz. Esse comportamento reforça estereótipos e contradiz o que diz a Constituição e normas internacionais: homens e mulheres têm igual capacidade e merecem igual tratamento.
3. Quando roubam suas ideias e levam o crédito
Se você apresenta uma proposta e ela é ignorada — e depois um colega homem repete a mesma ideia e recebe os elogios — isso é conhecido como bropriating, ou apropriação de ideias. Além de desrespeito, configura discriminação de gênero e viola o direito à igualdade de oportunidades, assegurado pela Constituição, pela CLT e pela Convenção 190.
4. Quando fazem você duvidar da sua sanidade
O famoso gaslighting é uma das formas mais perigosas de violência psicológica. No trabalho, ele aparece quando o agressor distorce fatos, te culpa ou nega comportamentos abusivos, fazendo você questionar sua própria percepção. Isso afeta diretamente sua dignidade, autoestima e saúde mental, todas protegidas como direitos fundamentais.
5. Quando te empurram para o “lugar de mulher”
Frases como “isso não é serviço para mulher” ou “mulher é melhor só para cuidar de gente” revelam machismo estrutural e divisão sexual do trabalho.
A Constituição proíbe discriminação por sexo, e a CLT — reforçada pela Convenção 190 — repudia práticas que restringem mulheres a funções menos valorizadas ou com menor crescimento profissional.
6. Quando o “desconto” vem no salário, na promoção ou na confiança
A violência de gênero no trabalho também aparece quando a mulher recebe menos salário, é preterida em promoções ou é vista como “problema” por ser mãe ou querer engravidar. Esse cenário viola o direito à igualdade salarial e à não discriminação, pilares jurídicos de proteção à mulher trabalhadora.
7. Quando você é alvo de piadas misóginas e machistas
Comentários sobre corpo, aparência, insinuações sexistas ou “brincadeiras” ofensivas são formas explícitas de violência. A Convenção 190 da OIT define violência e assédio no trabalho como qualquer comportamento que cause danos físicos, psicológicos, sexuais ou econômicos, incluindo ambiente hostil e humilhante.
Você não é obrigada a aceitar isso!
Nenhuma mulher precisa aceitar humilhações, ameaças, violência psicológica, assédio moral ou sexual no trabalho. Se você reconhece algum desses sinais no seu dia a dia, saiba: a lei está do seu lado. Buscar orientação é um ato de proteção, coragem e respeito por si mesma.
Daniela Coimbra
Advogada trabalhista, especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, com atuação em gênero, trabalho, saúde e direitos das mulheres. Membro do GPMAT/USP.
